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O que devo fazer ao ser diagnosticado com câncer de rim?


Com diagnóstico precoce, o percentual de cura dos portadores da doença aumenta em mais de 80%


29/06/2011 - 16h49 . Atualizada em 29/06/2011 - 16h52
Portal RAC    
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A pessoa começa a perder peso e ter febre. No entanto, não dá a devida atenção por conta de seu dia a dia e continua a sua rotina. Até o momento em que aparece outro sintoma como dor abdominal. Imagina ser uma infecção de algo que comeu algum tempo atrás. Decide ir ao médico que pede exames. Após avaliá-los, o especialista diagnostica como câncer de rim.

“No instante da descoberta de um tumor, a pessoa deve manter a calma”, afirma Oren Smaletz, oncologista clínico e coordenador de pesquisa clínica em câncer do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein. 

“Apesar de ser um momento difícil, o paciente precisa saber da existência de tratamentos que podem melhorar sua qualidade de vida, independentemente do estágio em que se encontra a doença; seja ele precoce ou avançado”, afirma o especialista.

Estudo Nacional sobre o Câncer Renal (Encare) realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aponta que 73% das pessoas receberam o diagnóstico de câncer de rim depois de passar por um ultrassom abdominal por outro motivo. 

Segundo Smaletz, o diagnóstico precoce faz a diferença. “Nesse estágio, o percentual de cura em tumores pequenos ultrapassa os 80%”, completa. 

No entanto, de acordo com o Encare, quase 40% dos casos de câncer de rim, por exemplo, são diagnosticados quando o tumor está nos estágios avançados e com poucas chances de cura.

As causas do surgimento do câncer de rim não são totalmente conhecidas. Entretanto, fatores como cigarro, obesidade, herança genética e hipertensão consistem em fatores de risco para o desenvolvimento da doença. 

Dados do Encare apontam a hipertensão e a obesidade em 46% e 18% dos casos de câncer de rim respectivamente como os principais fatores de risco.

Representando cerca de 85% dos tipos de tumores nos rins, segundo a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, o carcinoma de células renais (CCR) é um tipo de câncer de rim bastante agressivo e, até pouco tempo, com poucas opções de tratamento. 

A doença representa aproximadamente 2% dos novos casos de câncer e causa cerca de 100 mil mortes anualmente no mundo.

Em relação aos tratamentos para o carcinoma renal, a cirurgia para retirada do tumor é a forma mais indicada nos casos mais precoces. Porém, apesar da remoção por cirurgia, o tumor retorna em 33% dos pacientes. 

Nestes casos, outras terapias podem ajudar, mas somente um médico pode prescrevê-las adequadamente.

Uma nova e grande aliada no combate aos diversos tipos de câncer é a terapia-alvo, que tem como principal característica a seletividade da ação. 

Esse tratamento atinge preferencialmente partes importantes das células tumorais e age diferentemente da quimioterapia tradicional – que ataca todas as células que se multiplicam rapidamente, sem fazer diferenciação entre as saudáveis e as tumorais. Por ter ação tão específica, esses medicamentos provocam menos efeitos colaterais. 

Atualmente, existem alguns medicamentos disponíveis no mercado nacional que se encaixam nesse tipo de terapia-alvo, como os inibidores de tirosinoquinases, os inibidores da mTOR e os anticorpos monoclonais.

Sutent (malato de sunitinibe) é um dos exemplos da terapia-alvo. Inibidor de tirosinoquinase, o medicamento tem mecanismo de ação duplo, impedindo o crescimento de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor e atacando diretamente as células tumorais, o que evita sua multiplicação. 

Há também o tensirolimo (Torisel), indicado para pacientes com câncer renal mais agressivo, possuindo mecanismo de ação moderno também baseado no conceito das terapias-alvo, a inibição do receptor mTOR. Com esta atuação, a medicação proporciona sobrevida mais longa a estes pacientes.

“Nos últimos cinco anos, o tratamento ao câncer de rim está entre os que mais avançaram. Isso só foi alcançado pelo desenvolvimento de novos medicamentos, elaborados a partir de uma maior compreensão da biologia do tumor de rim. Com isso, os pacientes ganharam mais opções terapêuticas e, consequentemente, estão vivendo mais e com melhor qualidade de vida”, conclui Smaletz.