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Unicamp manterá cotas públicas


Decisão do STF não altera processo de seleção de candidatos da Unicamp


28/04/2012 - 12h42 . Atualizada em 28/04/2012 - 12h55
Henrique Beirangê   DA AGÊNCIA ANHANGUERA  
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Estudante Gleyson Roberto do Nascimento conseguiu bônus por vir da rede pública
(Foto: Leandro Ferreira/AAN)
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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de declarar constitucional o sistema de cotas raciais em universidades do País não vai alterar o processo de seleção de candidatos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O coordenador executivo do vestibular da instituição, Maurício Kleinke, disse que o modelo adotado pela universidade vem funcionando e que não deverá ser modificado. Atualmente, a Unicamp faz uso do chamado Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS), que dá uma bonificação na nota final dos alunos originários de escolas públicas. A bonificação é um pouco maior para quem se declara negro, pardo ou indígena.

O aluno que tenha estudado em escolas públicas recebe mais 30 pontos no resultado final da nota. Quem se declara negro, pardo ou indígena pode receber mais 10 pontos. De acordo com a instituição, a bonificação provoca um aumento entre 5% e 10% na nota final do candidato a uma das vagas. A variação depende do curso. Kleinke disse que, apesar de haver um componente racial no sistema da instituição, a maior parte da bonificação é destinada a quem tenha vindo de escolas públicas, porque a instituição entendeu que a questão social tem mais força que a questão racial como critério de seleção.

O julgamento do Supremo foi decorrente de um processo ajuizado pelo DEM contra as cotas implantadas na Universidade de Brasília (UnB), que reserva 20% das vagas para negros e pardos. Outro processo relacionado a esse, que questiona o ProUni e suas cotas para indígenas, deve ser julgado em breve. Durante o julgamento realizado esta semana, os ministros decidiram, por unanimidade, que a adoção de cotas raciais pode ser utilizado pelas instituições de ensino superior.

Kleinke disse que a ideia da Unicamp é procurar novos talentos dentro de escolas públicas e privadas e que o sistema de bonificação é uma forma de corrigir distorções nas condições de competição ao acesso a uma vaga na universidade. “Depois que estes candidatos entram na universidade ficam em condições de igualdade e, muitas vezes, tem até mesmo melhor desempenho”, disse.
A Unicamp registrou 32% de estudantes da rede pública matriculados em seus cursos de graduação aprovados em seu último processo seletivo. O percentual representa 1.099 estudantes que cursaram todo o Ensino Médio em escolas da rede pública de um total de 3.435 matriculados na Unicamp. Os dados fazem parte do perfil socioeconômico dos candidatos e ingressantes disponibilizados pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest).

O índice é praticamente o mesmo do ano anterior, quando a Unicamp bateu recorde, em números absolutos, de estudantes oriundos de escolas públicas aprovados no vestibular e matriculados na universidade: 1.111 (32,1%). Já entre os inscritos, o percentual de estudantes da rede pública superou o índice do ano anterior, passando para 28,2% no Vestibular Unicamp 2012, ante 27% no Vestibular Unicamp 2011. Foram 16.054 candidatos da rede pública este ano, contra 14.277 no ano anterior.