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Parada gay reúne milhares de pessoas no Centro de Campinas


Evento teve início às 14h30, no Largo dos Expedicionários, situada no início da Avenida Campos Sales, com apresentação de DJs, shows de drag queens e bandas no palco montado no Largo do Rosário


01/07/2012 - 19h38 .
Érica Araium   DA AGÊNCIA ANHANGUERA  
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Imagens da parada gay em Campinas
(Foto: César Rodrigues/AAN)

CLIQUE AQUI E CONFIRA A GALERIA DE FOTOS DA PARADA GAY

Em clima de festa e igualdade, milhares de pessoas acompanharam a 12ª edição da Parada do Orgulho de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT), que tomou as ruas do Centro de Campinas, na tarde deste domingo (1/7).

A caminhada teve início às 14h30, no Largo dos Expedicionários, situada no início da Avenida Campos Sales, com apresentação de DJs, shows de drag queens e bandas no palco montado no Largo do Rosário.

Segundo estimativa da polícia militar, mais de 100 mil pessoas acompanharam a edição deste ano. Já os organizadores calculam que, ao longo de todo o evento, mais de 120 mil pessoas tenham prestigiado a parada, que teve por tema 'Querem Acabar com as Paradas? Aprovem as Nossas Leis' .

'Depois de um ano de trabalho intenso junto à comunidade e aos órgãos responsáveis, só temos a comemorar. E é claro que vamos continuar saindo às ruas. O que queremos é lembrar a sociedade e as autoridades de que as leis, principalmente as que criminalizam a homofobia e punem os agressores, sejam aprovadas e cumpridas', argumentou a drag queen Priscilla, membro da recém criada Associação da Parada do Orgulho LGBT de Campinas.

Uma das iniciativas da associação foi alterar o percurso, que teve por ponto de concentração a Avenida Campos Sales e seguiu pelas vias Francisco Glicério, Moraes Sales, Irmã Serafina, Anchieta e Benjamin Constant.

Com o trajeto mais fluído e longo, os participantes tiveram de recobrar o fôlego atrás dos dois trios elétricos. Segundo a Emdec, cerca de 50 agentes de trânsito cuidaram da sinalização das vias. Houve, porém, quem se perdeu em meio à festa. 'Estava num barzinho próximo ao Largo do Pará e acabei orientando muita gente a seguir para o local correto. Talvez tenha faltado divulgação sobre o percurso novo, mas nada demais. No geral, como espectador, acho que foi tudo bem organizado e tranquilo', observou o agente de turismo Edson Barbosa.

A polícia informou que não houve registro de ocorrências. De acordo com agentes da Setec, houve apreensão de destilados, volume suficiente para encher uma kombi.

Dino Martinez, conhecido como Moto Rosa, cuidou de abrir alas aos militantes e curiosos, com muita animação. 'Posei para fotos, interagi com as pessoas e fiz todo mundo se lembrar de que os gays têm de ter os mesmos direitos dos heterossexuais. Isso é inclusão. As leis precisam ser mais clara e rígidas', destacou.

Em meio à multidão, Lília Arruda fez questão de vestir a camisa pelo filho, o advogado Luís Arruda, e pelo companheiro dele, Otávio Matias.

Ela é a representante campineira de um movimento nacional de mães de gays, lésbicas, transexuais e bissexuais que luta pelo fim da homofobia - Mães Pela Igualdade, derivado de uma iniciativa internacional da ONG All Out. 'Tenho diálogo aberto com meu filho e sempre vou apoiá-lo. Tenho orgulho de quem ele é. Hoje, somos trinta mulheres, em todo o País, lutando contra o preconceito', declarou.

Espectadores

Atrás dos gradis, famílias inteiras pararam para ver o movimento. 'Os gays querem se expressar tão livremente quanto nós, está certo. Apoio totalmente a liberdade sexual e as reinvindicações deles', disse a dona de casa Patrícia Pereira, que levou as filhas de 5 e 8 anos ao evento.

Além das crianças, havia muitos idosos entre os espectadores. 'Cada um é cada um e acho tudo muito lindo e divertido', disparou a aposentada Rosirinha Guimarães. Outra senhora ponderou: 'Há dez anos moro no Centro e acompanho a Parada quando consigo, porque gosto e apoio. Mas confesso que fico incomodada com a pornografia. Tem gente que abusa. Uma pena', declarou a aposentada Sarah Silva.

Do alto dos prédios, acomodados nos parapeitos, diversos moradores do Centro acenaram à multidão que, nas ruas, clamava por igualdade de direitos de um jeito irreverente e festivo. Em faixas, banners e camisetas, frases de efeito diziam muito. As atitudes diziam ainda mais. 'A parada deste ano foi colorida, alegre e teve a participação de muita gente consciente, politizada', resumiu Felipe Davanzo, do movimento Juntos Pelo Direito de Amar. 'Faltam leis, sim, e temos de cobrá-las. Mas, mais que isso, falta respeito', disse o cabeleireiro Rafael Rissato ao lado do companheiro José Luís, auditor, com quem se uniu há cinco anos.