1. Você está aqui:  
  2. Home
  3.  > 
  4. notícias
  5.  > 
  6. Campinas e RMC

Reajuste do diesel refletirá no frete


Embora transportadoras não falem em repasse integral, haverá alta estima entre 1,5% e 3,5%


17/07/2012 - 08h50 .
Cecília Polycarpo   AGÊNCIA ANHANGUERA DE NOTÍCIAS  
Compartilhar


Sem perdão: transportadoras criticam decisão da estatal e afirmam não ter como segurar o repasse
(Foto: Divulgação)

O reajuste de 6% do óleo diesel nas refinarias, em vigor desde na segunda-feira (17), vai impactar o custo do transporte de cargas e passageiros na Região Metropolitana de Campinas (RMC). 

O percentual do repasse ainda não foi definido pelas companhias, mas o Sindicato das Empresas de Cargas de Campinas e Região (Sindicamp) calcula que os fretes devem ficar de 2% a 3% mais caros, dependendo das distâncias percorridas.
Já a Associação Brasileira de Empresas e Profissionais de Logística (ABEPL) acredita que o reajuste para o consumidor fique entre 1,5% e 3,5% na RMC. 

Associações industriais, comerciais e de empresas de transporte de todo o País reagiram imediatamente ao anúncio do aumento, feito na última quinta-feira pela Petrobras. Muitos se queixaram de terem sido pegos de surpresa e de que a decisão vem na contramão das ações do governo federal para estancar a crise. 

“Vai ser muito difícil alguma empresa não repassar o reajuste a seus clientes nos próximos dias. Mas isso vai ser feito com cuidado. Nós atendemos companhias nacionais e multinacionais, e ambas estão extremamente reativas a altas de preço no momento”, disse o vice-diretor da ABEPL, Raul Maudonnet. 

A associação estima que o primeiro semestre de 2012 teve retração de 9% no mercado para empresas de logística e cargas fracionadas da região e, para o vice-diretor, o reajuste vai enfraquecer ainda mais o setor. “Com certeza o lucro será menor este ano. O comércio e indústria do País brigam no momento para a redução de custos na produção”.

IPI neutralizado
Os efeitos positivos da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em diversas mercadorias podem inclusive ser neutralizados com o reajuste. “O governo parecia preocupado com a produção industrial. Mas não devia estar, já que não faz nenhum sentido aumentar o preço de um insumo essencial para o setor”, completou Maudonnet. 

O vice-presidente do Sindicamp - associação que representa aproximadamente 400 empresas de transporte de 37 cidades da região - José Otávio Bigatto, afirmou que a notícia surpreendeu. “A Petrobras tinha anunciado um aumento no dia 25 de junho, mas as empresas conseguiram absorver o valor por conta da redução de impostos. Por isso, não esperávamos outro reajuste tão cedo. Com um mercado recessivo, a economia estagnada e o crescimento do desemprego, não era essa a melhor hora”, disse. 

Representantes do sindicato se reúnem esta semana para discutir o assunto e apontar saídas aos empresários para fazer o reajuste “com coerência”, de acordo com Bigatto. O vice-presidente afirmou ainda que a decisão desestimula o consumo em geral. 

“A regra geral é redução de custos para empresas e consumidores. A alta em um insumo tão essencial a toda indústria, os reflexos podem ir muito além dos preços. Isso potencializa a tendência de demissões”, disse.

Tempo demais
Para o professor e presidente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Sarti, a Petrobras segurou durante muito tempo o preço dos combustíveis. O aumento, segundo o economista, foi necessário para aumentar a receita da estatal para investimentos na extração de petróleo na camada pré-sal e construção de novas refinarias. 

“A Petrobras está investindo US$ 50 bilhões por ano em novos projetos e precisa dos recursos. O preço do diesel em outros países já aumentou há meses e a empresa arcou durante um bom tempo com o ônus de segurar o valor”, disse Sarti. 

Para ele, o momento foi escolhido com cuidado. “Foi feito justamente quando o impacto na inflação fosse pequeno. O setor de logística teve um período de crescimento muito intenso e foi beneficiado pela postura da Petrobras de segurar a tarifa. Agora não deu mais: é preciso dividir a conta”.