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A inadimplência mostra sua cara


Associação comercial traça perfil dos devedores em Campinas; mulheres lideram a lista geral


17/07/2012 - 08h58 .
Adriana Leite   DA AGÊNCIA ANHANGUERA  
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Muita sede ao pote: consumidores pecaram ao gastar mais do que ganhavam, e agora enfrentam problemas
(Foto: Reprodução)

A inadimplência preocupa o comércio e afeta o orçamento de milhares de famílias no Brasil. Em Campinas, 51,6% das pessoas com dívidas em atraso são mulheres e 48,4% são homens. A renda mensal média dos devedores é de três salários mínimos (R$ 1.900,00). 

O descontrole entre gastos e ganhos é o principal motivo apontado por quem deve na praça para deixar de pagar as contas. A perda de emprego vem logo em seguida como vilão do bolso do consumidor. Os débitos acumulados neste ano apenas com carnês somamR$ 116,4 milhões no comércio local. 

Estudo da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) apontou que o segmento que mais sofre com a inadimplência na cidade é o de bens de consumo duráveis eletroeletrônicos, eletrodomésticos e veículos). Na outra ponta, vem a área de vestuário e calçados que apresenta o menor índice. No primeiro semestre, havia 80.300 carnês em atraso no comércio campineiro.  

Pesquisas recentes realizadas pelos serviços de proteção ao crédito em todo País mostraram que as dívidas com cartões de crédito e com bancos estão no topo da lista das contas em atraso. 

O coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins, afirmou que os consumidores entre os 14 e 30 anos são os que apresentam mais dívidas sem pagamento em Campinas. 'Os menos inadimplentes são os consumidores de 45 a 65 anos. E apesar de no geral a quantidade de mulheres inadimplentes ser maior do que a de homens, entre os mais jovens o sexo masculino é que o mais possui débitos sem pagamento, detalhou. 
 
O economista salientou que os homens começam a trabalhar cedo e logo querem um carro ou uma moto. Martins comentou que mudou o perfil do inadimplente. “Há dois anos, o principal motivador da inadimplência era o desemprego. Hoje, o descontrole das contas é o responsável pelo aumento das dívidas em atraso há mais de 30 dias. A elevação do poder de compra deu ao consumidor ferramentas para conquistar parte do que desejava. Mas muitas pessoas não souberam controlar os gastos e agora estão com vários débitos pendentes” avaliou.
 
Ele apontou que no cadastro dos últimos cinco anos no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) há 600 mil carnês em aberto. “O valor ultrapassa R$ 580 milhões”, disse. O economista observou que vários devedores estão na lista do serviço porque “emprestaram o nome ” para que outra pessoa compre na praça. 

Pesquisa 
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo(Fecomércio) divulgou ontem um estudo intitulado “Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras”. A análise apontou que 62,5% das famílias das 27 capitais de Estados brasileiros pesquisadas estão endividadas. Houve um aumento de 6,39% entre 2010 e 2011.  

Nas capitais, há dois anos as dívidas somavam R$ 145,1 bilhões.Atualmente, o volume é de R$ 161,9 bilhões. Outro dado relevante é que a renda das famílias endividadas subiu 11,7%, passando de R$ 491,5 bilhões para R$ 549,2 bilhões.
 
A assessora econômica da Fecomercio, Simone Bernardino, afirmou que o crédito fácil dos últimos dois anos impulsionou as vendas e a economia - mas também fez com que os consumidores acabassem perdendo o controle dos gastos. 

“Existiu sim uma elevação do endividamento, porém também houve um aumento da renda das famílias. Por isso, não Não vemos risco de um descontrole da inadimplência que possa interromper o ciclo positivo do crescimento”, analisou.Ela recomendou aos devedores que coloquem no papel todas as dívidas e planejem como irão pagá-las. “O primeiro passo é saber exatamente o quanto se deve e quais são os credores. Depois, a próxima ação é negociar o pagamento sem gerar novas dívidas. Há inadimplentes com aplicações no banco que pagam juros elevados nas dívidas, mas não tiram o dinheiro para quitar os débitos. É um erro. O mais importante é pagar as contas, principalmente se forem com cheque especial, cartão de crédito e empréstimos”, disse.

Campanha fará acordos a partir de amanhã
A partir de amanhã e até o próximo sábado, na Estação Cultura, a Boa Vista Serviços, em parceria com a Acic e a Prefeitura de Campinas, promove a campanha “Acertando suas Contas ”;
 
O objetivo é facilitar a negociação entre inadimplentes e credores. A estimativa dos lojistas de Campinas é recuperar mais de R$ 23 milhões em débitos. Os organizadores esperam que 50 mil pessoas visitem o local e tentem renegociar as suas dívidas.A cidade será a primeira depois de São Paulo a abrigar o mutirão de crédito. Nos eventos realizados na Capital paulista, os descontos variaram de 40% a 60%. Pelo menos 12 empresas e instituições públicas vão participar da campanha  -  entre elas Casas Bahia, Bradesco, Caixa Econômica Federal, CPFL, Banco Ibi e Panamericano.