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Passeata pede justiça para o "Caso Kaio"


Audiência de instrução que irá definir se os réus vão ou não a júri popular aconteceria esta semana, mas foi remarcada para o dia 17 de outubro


05/08/2012 - 17h31 .
Felipe Tonon   DA AGÊNCIA ANHANGUERA  

Passeata reivindica agilidade da Justiça
(Foto: André Monatejano/Especial para AAN)
Na manhã deste domingo, o grupo caminhou da Avenida Orosimbo Maia, no cruzamento com a Norte-Sul, até a Júlio Prestes
(Foto: André Montejano/Especial para AAN)

Quase nove meses após a morte do lutador de jíu-jitsu Kaio Ribeiro, em novembro do ano passado, que foi atropelado por um carro que, segundo a polícia, disputava um racha na Avenida Júlio Prestes, em Campinas, familiares e amigos voltaram neste domingo (5) ao local da tragédia para pedirem agilidade à justiça.

A audiência de instrução que irá definir se os réus vão ou não a júri popular aconteceria na próxima quarta-feira (8), mas foi remarcada para o dia 17 de outubro.

As investigações apontaram que Adriane Aparecida Pereira Diniz Ignácio de Souza, de 42 anos, e o consultor de obras Fabrício Narciso Rodrigues da Silva, de 32, apostavam um racha na avenida. Ela dirigia o Audi que atingiu o lutador a 127 Km/h. Silva conduzia um Camaro que também estaria em alta velocidade.

Na manhã deste domingo, o grupo caminhou da Avenida Orosimbo Maia, no cruzamento com a Norte-Sul, até a Júlio Prestes. Vestindo camisetas com uma foto de Kaio, as pessoas também levavam cartazes que mostravam indignação pela demora do julgamento dos acusados.

A mãe do lutador, Francisca Ribeiro, se emocionou durante todo o percurso e desabafou. 'Eu espero em Deus que a justiça seja feita. Seria bom que tudo acabasse logo, dói demais, todo dia', disse.

'Tem que ter uma definição. É muito angustiante para a família. Isso não pode ficar impune', afirmou o pai, Gilberto Ribeiro, que lembrou do aniversário do filho, que completaria 24 anos no último dia 1º.

O tio de Kaio, Gaspar Custódio Alves, de 37 anos, não conseguiu segurar a emoção. 'A dor é grande. Ele era como um filho. Eu vi os primeiros passos, as primeiras palavras', disse Alves, que também sofre com a dor da saudade.

Membros de movimentos que lutam por justiça em casos semelhantes também participaram do ato.

Os cerca de mil metros de caminhada foram percorridos com a ajuda de um carro de som, que pedia rapidez à justiça. 'O Kaio está morto, os assassinos soltos. A polícia prende, a justiça solta', gritavam os manifestantes.

Quando o grupo chegou ao local exato onde Kaio foi atropelado, no dia 18 de novembro do ano passado, ninguém conseguiu segurar as lágrimas. As faixas e cartazes foram colocados na calçada e foram feitas orações.

Moradora da casa ao lado do acidente, e que ficou parcialmente destruída com o impacto da batida, Rosani Aparecida Longatti, de 50 anos, disse que jamais irá esquecer o acidente. 'Foi uma coisa muito chocante, uma vida que se foi. A velocidade com que ela veio foi impressionante. Um absurdo a justiça permitir que essa mulher fique solta', disse. 'Eu já vi muitos acidentes nessa avenida, mas como aquele, nunca' .

Um dos momentos mais marcantes da passeata foi quando o pai de Kaio fez um pronunciamento e uma promessa para o filho morto. 'O pai está aqui, não vou desistir nunca. Eu tive o privilégio de ter você como meu filho durante 23 anos. Você mais me ensinou do que eu te ensinei. O pai sente muita saudade, mas um dia vou poder dizer para você: a justiça foi feita. Te amo meu filho' .

Irresponsabilidade

Durante o trajeto dos manifestantes, que pediam por justiça e mais responsabilidade aos motoristas no trânsito, o fluxo de veículos na Norte-Sul teve der ser bloqueado e os carros tiveram que seguir atrás da passeata, que durou cerca de 15 minutos. Mas um motorista não respeitou o bloqueio feito pela Emdec, acelerou sobre o grupo, subiu na calçada para fugir da manifestação e quase atropelou um dos jornalistas que seguiam o grupo.

O ato foi repudiado pelos manifestantes, que vaiaram o motorista. Os agentes da mobilidade urbana da Emdec não conseguiram anotar a placa do carro, que disparou em alta velocidade.