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Ivan Goretti de Deus faz depoimento com contradições


Promotor de eventos prestou esclarecimentos sobre qual a relação do empresário com o ex-secretário de Segurança Pública de Campinas


16/03/2012 - 10h17 . Atualizada em 16/03/2012 - 23h10
Douglas Fonseca   DO PORTAL RAC  
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Ivan Goretti de Deus durante depoimento à CPI da Corrupção
(Foto: Reprodução)
Vereador Artur Orsi (PSDB) dá inicio ao depoimento na CPI da Corrupção
(Foto: Reprodução)

O promotor de eventos Ivan Goretti de Deus foi ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, a partir das 14h30 desta sexta-feira (16), para prestar esclarecimentos sobre qual a relação do empresário com o ex-secretário de Segurança Pública de Campinas Carlos Henrique Pinto. Goretti, claramente nervoso, entrou em contradição em vários pontos do depoimento, principalmente quando foi feita referência às gravações telefônicas feitas pelo Ministério Público (MP) quando investigava o Caso Sanasa.

Goretti é um dos 22 denunciados pelo MP à Justiça na investigação sobre atos irregulares que teriam ocorrido na gestão do prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT).

As ligações realizadas e recebidas no telefone celular do promotor de eventos revelam como ele articulava junto aos donos de estabelecimentos comerciais para a liberação de alvarás. Foram interceptadas mais de 200 ligações grampeadas entre os dias 8 e 20 de abril. Nas ligações Goretti seria procurado por comerciantes preocupados com a operação Tolerância Zero onde ele cita que iria falar com o “chefe” sobre a situação. O “chefe”, de acordo com o relatório do MP, é Carlos Henrique Pinto, que, até então, comandava a operação fecha-bar na cidade.

Para o vereador Artur Orsi (PSDB), Goretti se contradisse demais. 'Ele deixou uma série de questões em aberto em relação às escutas, mas no fim ele admitiu um relacionamento com o Carlos Henrique. Além disso as contradições em relação aos envolvidos nas escutas, primeiro ele negou conhecer algumas pessoas, depois se lembrou de quem são. Agora vamos juntar com os outros depoimentos e checar até onde chegava a interferência na Prefeitura de Campinas' disse.

Artur Orsi informou que se reunirá com o companheiro de CPI, o vereador Campos Filho (DEM) para acertar os próximos passos da Comissão em relação aos depoimentos a serem feitos. 'Vou conversar com o vereador Campos Filho e oportunamente traremos as pessoas aqui que considerarmos importante para esclarecer o processo' disse.

Depoimento

O vereador Artur Orsi deu início aos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção e esclareceu os motivos do convite a promotor de eventos Ivan Goretti de Deus à comparecer nesta sexta-feira (16) ao Plenário da Câmara dos Vereadores. As primeiras perguntas de Orsi foram voltadas no sentido ao tipo de prestação de serviço da empresa de Goretti e dados como funcionários contratados, local e locais onde já prestou serviço.

Goretti afirmou que trabalha sozinho e não conta com o auxílio de nenhum funcionário, apenas com freelancers que dão apoio na realização dos eventos contratados

Goretti afirmou que conheceu o ex-secretário de segurança, Carlos Henrique Pinto durante a campanha eleitoral de Pinto na casa do empresário. O encontro aconteceu durante a realização de um grupo de oração na casa da mãe de Goretti.

Orsi relatou que existe uma gravação telefônica entre a secretária de Carlos Henrique Pinto, chamada com o Camila, e o empresário onde cita a palavra 'chefe'. Goretti afirmou que a palavra não se referia ao ex-secretário e que não se lembra desta gravação.

Orsi insiste no tema das gravações, inclusive com o próprio Carlos Henrique Pinto e Goretti afirmou não ter nenhum tipo de vínculo entre os dois, apenas ligações informais Em relação aos almoços entre os dois o advogado de defesa interrompeu o depoimento para refrescar a memória de seu cliente no sentido do relacionamento entre Goretti e Carlos Henrique.

Após a intervenção do advogado, Goretti afirmou que após trabalhar na campanha eleitoral as pessoas envolvidas no processo acontecem várias ligações após a sua realização de pessoas que pensam que existe um vínculo entre o empresário e Carlos Henrique. Goretti afirmou que o ex-secretário nunca favoreceu estas pessoas que o procuravam em nenhum sentido.

Orsi disse que em uma das gravações interceptadas pela Justiça Goretti diz 'Já que é guerra, vamos fazer guerra'. Esta colocação faz referência a uma disputa interna na Prefeitura entre Carlos Henrique Pinto e Ricardo Cândia no programa 'Tolerância Zero'.

Ao responder esta questão, Ivan Goretti se atrapalhou na resposta e afirmou que não assumiu nenhum lado nesta 'guerra' imposta. O advogado de defesa do depoente, novamente interrompeu a oitiva para pedir calma a seu cliente para esclarecer os fatos.

O vereador Miguel Arcanjo (PSC) questionou se Goretti soube de alguma forma de uma determinação por parte de Carlos Henrique para que fossem fechados alguns bares do bairro Cambuí, em Campinas, para depois estes empresários procurassem a Prefeitura, Secretaria de Urbanismo e Secretaria Jurídica para obter um levantamento de dados dos proprietários destes estabelecimentos.

Goretti afirmou que nunca soube de nada neste sentido e disse também que nunca foi procurado por empresários e proprietários deste tipo de estabelecimento para ajudar no processo de reabertura dos estabelecimentos.

O vereador Artur Orsi relatou uma outra ligação interceptada com uma pessoa com o nome de Alex. Durante a gravação Alex diz: 'Precisa arredondar para saber que dia mesmo será a assinatura porque assim todo mundo fica contente, Nóis (sic) aqui com a nossa parte e eles lá com a parte deles'.

Goretti afirmou que Alex foi jogador de futebol e proprietário da casa noturna Excalibur. Após outras citações de conversas gravadas por telefone o empresário se contradiz dizendo não saber se Alex foi realmente proprietário do estabelecimento.

Orsi afirmou que a casa noturna teve muitos problemas referente à falta de pagamento do IPTU à Prefeitura e se Goretti soube de algo neste sentido. O empresário afirmou que Alex é amigo seu e todas as gravações falam a respeito de shows e eventos que eles faziam na cidade e sem vínculo nenhum com a política da cidade.

Orsi pergunta sobre outra ligação com uma mulher chamada Fabiana que ligou para Goretti aos prantos porque seu estabelecimento havia sido fechado por agentes da Prefeitura. O empresário afirmou que ela havia ligado para pedir ajuda junto à Prefeitura para reabrir o estabelecimento.

Goretti afirmou que Fabiana é uma das pessoas que trabalhou na campanha de Carlos Henrique e pensava que Goretti tinha vínculo com a Prefeitura e poderia ajudá-la com o problema que estava enfrentando. Goretti disse que não tinha o que fazer e não sabe se o estabelecimento foi reaberto após a ligação.

Goretti afirmou que Fabiana achava que estava sendo perseguida pelos agentes da Prefeitura e que estariam tentando extorqui-la mas que não poderia fazer nada e disse para ela procurar a Prefeitura e fazer a denúncia contra os funcionários corruptos. Goretti não sabe se o processo teve sequência.

Apesar disso, Goretti afirmou que acha que os agentes estavam realmente tentando extorquir Fabiana. Ele afirmou que em uma das vezes que ela ligou para ele, os agentes já estavam no estabelecimento antes deste ser aberto com um carro da Sanasa. Estas visitas aconteceram com frequência o que comprovaria a perseguição.

O empresário afirmou que Goretti foi sempre uma pessoa muito profissional e nunca favoreceu ninguém que trabalhou em sua campanha. O ex-secretário apenas orientava para as pessoas que se sentiam prejudicadas com as lacrações dos estabelecimentos para gravar ou fotografar os agentes corruptos e dar entrada com uma denúncia na Prefeitura.

Orsi cita outra pessoa, esta com nome de Fabiano, novamente em uma ligação interceptada Goretti falar com ele e diz que precisa levar um documento. Fabiano diz em um primeiro momento que não se lembra desta pessoa.

Após o vereador Artur Orsi ler trechos da gravação, Goretti se lembrou da pessoa e disse que trabalhou com ele durante a campanha de Carlos Henrique. Na gravação, Fabiano diz para tirar o pé do acelerador e se afastar de tudo que está acontecendo e que Goretti deveria falar com o próprio Carlos Henrique.

Goretti tentou insinuar que este Fabiano estava se referindo a outro Carlos Henrique que não era o ex-secretário de segurança. No entanto a frase 'tira o pé do acelerador porque o bicho ta pegando' fez com que o advogado de defesa de Goretti, Dr Edmílson, solicitasse um intervalo na sessão para conversar em particular com seu cliente sobre o depoimento.

O vereador Artur Orsi permitiu que fosse interrompida a sessão por 5 minutos e pediu para que o advogado não tentasse intervir no depoimento pois a linha de investigação segue provas concretas com ligações gravadas pelo Ministério Publico.

Orsi retomou o depoimento e novamente perguntou se Goretti conhecia Fabiano. Agora sim Goretti lembrou da pessoa e disse que teve um 'lapso de memória'. Em relação ao documento que ele queria levar até Carlos Henrique seria sobre a cópia de um estabelecimento que poderia estar sofrendo abusos por parte de agentes da Prefeitura.

Orsi pergunta mais informações sobre o citado advogado Fabiano e Goretti disse não saber de mais nada em relação ao advogado da campanha de Carlos Henrique. Orsi perguntou se ele precisaria de mais um tempo para lembrar os detalhes e Goretti afirmou que não seria necessário.

Goretti afirmou ao vereador Artur Orsi que nunca teve contato com mais ninguém da Prefeitura e muito menos com os envolvidos no escândalo conhecido em âmbito nacional como o Caso Sanasa. Goretti negou qualquer contato com Rosely Nassim Santos, Hélio de Oliveira Santos e todos os outros acusados.

Goretti afirmou que não entende o motivo de ter sido relacionado no crime de formação de quadrilha no Caso Sanasa. O empresário acredita que foi pego em uma interceptação telefônica em um processo que estão tentando te envolver sem motivo algum e que o Ministério deveria verificar todo o procedimento se houve algum favorecimento e se seu nome estava envolvido. Talvez se este trabalho fosse feito pelo MP, segundo Goretti, ele não estaria hoje na Câmara dos Vereadores prestando esclarecimentos.

Goretti afirmou que nas ligações interceptadas o tipo da conversa com certa liberdade entre ele e Carlos Henrique Pinto com termos como 'chefe' fez com que o MP o incluísse nas investigações devido à intimidade no sentido de amizade da conversa entre os dois.

Goretti afirmou também que o programa 'Tolerância Zero' veio para beneficiar a sociedade, porém, em sua opinião, existia funcionários corruptos que macularam a imagem do programa por reclamações dos donos de bares que recorrentemente citaram perseguições e tentativas de extorsões por parte dos agentes de fiscalização.

Goretti afirmou que nunca fez parte de nenhuma operação do Tolerância Zero e desta forma não teve nenhum envolvimento nas solicitações de lacração de bares ou tentativa de abertura dos estabelecimentos. Ele apenas recebeu ligações de dois proprietários de bares na cidade para pedir auxílio e Goretti por sua vez os orientou a procurar a Prefeitura.

Goretti encerrou o depoimento pedindo desculpa pelos momentos que esteve nervoso e que espera que todos os fatos sejam esclarecidos o mais breve possível. Goretti afirmou que ficou nervoso por ter sido envolvido em uma investigação que nunca teve nada a ver com sua pessoa.

O presidente da Comissão, vereador Artur Orsi encerrou a sessão às 16h13 e agradeceu a presença do depoente e de todos os envolvidos.