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Programa espacial do Brasil avança


País desenvolve tecnologia para colocar em órbita em 2012 foguete com satélite a bordo


15/04/2011 - 09h22 . Atualizada em 15/04/2011 - 09h30
Patrícia Azevedo   Agência Anhangüera de Notícias  
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Lançamento do foguete VSB-30 no Centro de Alcântara: País também desenvolve veículo lançador
(Foto: Edson Haruki/AEB)
Radar do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno: investimentos chegam a R$ 160 milhões
(Foto: Ricardo Labastier/AEB)

O Brasil deve colocar no espaço em 2012, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, um foguete com um satélite a bordo. O feito, ainda inédito, é fruto de uma parceria entre Brasil e Ucrânia. O foguete Cyclone-4 está sendo construído pela empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) e tem capacidade limitada de carga. Ele poderá colocar satélites de até 350kg em órbitas baixas, de 250 a 1000km.

A expectativa do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, é que o lançamento coloque o Brasil na disputa pelo lucrativo mercado de lançamento de satélites, que movimenta em média US$ 280 bilhões. “Estudos de mercado para lançadores, elaborados por instituições internacionais especializadas, indicam que há uma tendência crescente de demanda para lançamento de micro e minissatélites (10 a 500kg segundo algumas referências desta classificação)”, diz o presidente da AEB. 

Raupp conta que as características técnicas do veículo lançador Cyclone-4 e a flexibilidade de utilização do motor do terceiro estágio permitem a otimização do uso de propelente do satélite aumentando sensivelmente sua vida útil. “Além disso, as operações de pré-lançamento do veículo Cyclone-4 são automatizadas, possibilitando a redução dos riscos à equipe de solo durante o lançamento, a redução de custos de lançamento devido a menor quantidade de pessoal necessário à operação e a redução do prazo de processamento e lançamento para menos de 12 horas”, conta. 

Ao mesmo tempo em que desenvolve o Cyclone 4, o Brasil também constrói o seu veículo lançador de satélite. “No momento, realizam-se ensaios laboratoriais nos vários subsistemas do veículo (lançador de satélites). Há subsistemas que estão em fase de construção para os ensaios em voo que têm previsão para realização no final de 2012. A Torre Móvel de Integração (TMI) estará disponível para integração do foguete e posterior lançamento já neste semestre de 2011”, explica.
 
Vários cientistas brasileiros e de outros países trabalham na construção do veículo lançador de satélite (VLS) que substituirá o VLS que explodiu em 2003 matando 21 pessoas. Ele começará a ser testado em 2012 e no ano seguinte está previsto um voo com carga em caráter experimental. Os lançamentos feitos a partir de Alcântara, que fica próxima da linha do Equador e ao lado do oceano, têm vantagens que se traduzem em qualidade de lançamento e uma economia de até 30% no uso de combustível.

A estimativa é de que cada lançamento comercial feito com VLS1 possa render ao Brasil US$ 10 milhões. Já os lançamentos feitos pelo Cyclone 4 podem chegar a US$ 50 milhões. Motivado por esse mercado, o governo brasileiro intensificou os investimentos no setor espacial. Em 2009 foram investidos R$ 85 milhões no CLA e ano passado os números chegaram R$ 160 milhões.

Saiba mais
Alcântara fica próxima à linha do Equador e os lançamentos feitos ali permitem o uso eficiente do movimento de rotação da Terra, gastando 30% a menos de combustível no envio de foguetes ao espaço.

País é distribuidor de imagens de satélites 
Segundo a Agência Espacial Brasil (AEB), o Brasil é um dos maiores distribuidores de imagens de satélite do mundo. Os arquivos gerados pelos satélites brasileiros são fornecidos gratuitamente para países da América do Sul e da África. Diariamente cerca de 250 imagens são encaminhadas. Só no Brasil, são mais de 35 mil usuários de mais de duas mil instituições com cadastros ativos. 

Segundo Raupp, o foco programa é o desenvolvimento de satélites de observação, como o satélite sino-brasileiro de recursos terrestres (Cbers). “Os satélites de sensoriamento remoto são o meio mais eficaz de produzir imagens da Terra. É por meio do uso das imagens produzidas por esse satélites, por exemplo, que técnicos gerenciam e diagnosticam o comportamento ou potencial agrícola de cada região. São imprescindíveis também, para o monitoramento dos fenômenos e fatores ambientais que se desenvolvem na superfície do planeta”, comenta. 

Segundo Raupp, as políticas públicas como as de Defesa, Segurança Hídrica e alimentar e de comunicações de governo, por exemplo, dependem desses equipamentos. 

O Brasil passou a exportar imagens por causa do Cbers, um dos principais programas de sensoriamento remoto em todo o mundo, desenvolvido em parceria com a China. Atualmente estão em órbita três satélites. O SCD 1 e SCD captam informações sobre dados ambientais de centenas de estações espalhadas pelo Brasil. O CBERS-2B, fabricado em parceria com a China, ajuda o Brasil a monitorar o desmatamento da Amazônia. 

Outros satélites estão sendo desenvolvidos no programa espacial. O Amazônia-1 terá uma câmera com maior ângulo de visão do que o CBERS e o Lattes, que irá analisar partículas nocivas que vêm do espaço.

Governo investe em expansão
O governo brasileiro está investindo na expansão do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). O plano é dobrar o tamanho da base, que tem cerca de 8,5 mil hectares. Segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, os trabalhos estão em andamento e o cronograma vem sendo cumprido.

A Torre Móvel de Integração (TMI) foi reconstruída e está próxima de ser inaugurada. “Ela é uma das plataformas mais modernas e seguras para veículos lançadores de satélites (VLS) de até 380kg. O Centro de Controle, os radares e o sistema de telemetria do CLA foram todos modernizados”, afirma Raupp.

Somente a torre custou pouco mais de R$ 44 milhões. “Quando a plataforma estiver funcionando ela gerará uma economia de milhões de reais, visto que o País não precisará terceirizar os seus lançamentos. Ainda há planos para usufruir toda a área da Alcântara Cyclone Space (ACS) e do CLA”, informa.

Durante muito tempo a disputa com a comunidade quilombola atrasou os planos do governo. A ampliação passaria atingiria uma área destinada à comunidade quilombola local. Segundo o novo presidente, que assumiu o cargo em 21 de março, “esta questão foi totalmente equalizada. Tanto a área do CLA foi delimitada quanto a dos Quilombolas”.