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Pesquisa questiona conceito sobre a estrutura cerebral


Estudo de linguística põe em xeque concepção "geográfica" sobre o órgão


29/07/2011 - 09h25 . Atualizada em 29/07/2011 - 09h31
Patrícia Azevedo   Agência Anhangüera de Notícias  
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A sequência de desenhos usados na pesquisa de Priscila Fiorindo
(Foto: Reprodução)

A ideia de que o cérebro possui uma concepção “geográfica”, em que cada função é exercida por uma área específica, aos poucos está ficando para trás. Um estudo feito pela pesquisadora Priscila Peixinho Fiorindo mostra que ao visualizar uma sequência de imagens e criar uma história sobre o que viu, a criança envolve todas as suas memórias, tanto a de longo quanto de curto prazo. De acordo com a pesquisadora, essa constatação vai ao encontro de recentes teorias no campo da neurociência.

Antigamente o cérebro era visto como um mosaico e cada peça tinha uma função, que era desempenhada de forma isolada. Teorias recentes da neurociência mostram que o cérebro não tem como funcionar de forma isolada. 'No estudo verificamos que a criança resgata informações mais antigas, utiliza esse lado, mas também usa informações de todas as memórias ao mesmo tempo', acrescenta.

Priscila cita o neurocientista brasileiro Miguel de Nicolelis, que considera que o cérebro não é dividido de forma geográfica, mas de acordo com a função que vai ser executada. 'Se uma pessoa perde a visão, o cérebro tem que ser remapeado para atribuir novas funções, redefinir o lado sonoro, o tato, atribuindo mais habilidades para outros sentidos e isso não seria possível se o cérebro funcionasse isoladamente', argumenta a estudiosa.

Para o estudo, realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Priscila ouviu 12 crianças de 5, 8 e 10 anos de ambos os sexos. Ela mostrava uma história só com imagens em cinco cartões. 'A criança observava uma imagem de cada vez durante 30 segundos e depois eu mostrava as cinco na sequência', explica. Depois a criança criava uma história.
Priscila diz que para contar a história é preciso ter um script na memória. 'A partir disso você constrói a narrativa e mistura fatos passados e recentes', detalha.

A pesquisadora, então, avaliou como cada uma processou as informações que recebeu e verificou se ela resgatava informações da memória de longo prazo, da memória episódica e da memória de curto prazo. 'A conclusão é que quando narra uma história, a criança resgata memória de longo prazo e de curto prazo', conta.

Memória
A estudiosa constatou que as crianças com idade de 5, 8 e 10 anos utilizam os mecanismos de funcionamento do cérebro que envolvem as memórias de curto e longo prazo. “As memórias de curto prazo são as que se referem às informações recentes. As de longo prazo são divididas entre a semântica, que reflete o conhecimento de mundo acumulado, e a episódica, que envolve as situações ou episódios já ocorridos. “É na memória espisódica que se encontram os scripts.

Quando, por exemplo, encontramos uma pessoa que não vemos há muito tempo e que é importante para a gente, acionamos as memórias de curto e longo prazo. Esse processo recupera e reelabora as lembranças e memórias.

Priscila acredita que seus estudos possam ser aplicados na área da Pedagogia. “Quem sabe teremos um dia a prática de narrativa oral, por crianças, como disciplina curricular da pré-escola. Acredito que isso possa colaborar na aquisição de linguagem das crianças”, diz.

Verbalização da criança expõe o que ela sente

As pesquisas da linguista Priscila Peixinho Fiorindo tiveram início em 2006, a partir de um projeto de cooperação internacional coordenado pela professora Lélia, que envolveu psicolinguistas brasileiros e franceses num estudo comparativo de produções narrativas de crianças no Brasil e na França. Neste estudo de cooperação foram observadas crianças da mesma instituição particular de ensino em que a pesquisadora atuou para seu doutorado. 'Trabalhei com a produção de narrativas infantis em crianças de 5 anos e verifiquei que a oralidade é muito importante para elas. Quando a criança verbaliza o que pensa, ela expressa o que está sentindo e isso não acontece quando ela se expressa pela escrita. Pela fala ela se manifesta melhor que pelo texto escrito', diz.

Priscila explica que quando falamos, organizamos o pensamento. “Quando a criança verbaliza por meio da história podemos analisar a linguagem não verbal, podemos verificar se ela está feliz ou chateada, por exemplo, porque ela se insere como personagem', explica.

Para a segunda etapa do projeto, Priscila entrevistou 12 crianças brasileiras de uma escola particular de São Paulo. Nos testes, a pesquisadora mostrou a cada uma delas, individualmente, uma sequência de cinco imagens. “As imagens, sem legendas, foram apresentadas uma de cada vez e, posteriormente, as cinco imagens no conjunto, seguida de sua retirada. Depois destas etapas, a criança contava uma narrativa com base nas imagens visualizadas”, conta a pesquisadora. Todas as histórias foram gravadas e analisadas. (PA/AAN) 

Nicolelis é apontado como forte candidato ao Nobel

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis já foi apontado várias vezes como o possível vencedor do Prêmio Nobel. Ele tem um projeto ambicioso: quer integrar máquinas a humanos para devolver a movimentação a tetraplégicos. Ele desenvolve uma espécie de prótese robótica que pode fazer tetraplégicos voltarem a andar usando a “força do pensamento”. 

Ano passado ganhou um prêmio de mais de US$ 2,5 milhões dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA para financiar sua pesquisa sobre a fusão entre homens e máquinas. Ele trabalha na Universidade Duke há mais de 20 anos e prepara a construção de um polo de ciência em Macaíba, Natal. 

O projeto Walk Again, desenvolvido por meio de um consórcio multinacional de pesquisadores de neurociência e robótica, desenvolve uma estrutura robótica para fazer que tetraplégicos voltem a se movimentar. Na primeira fase os cientistas extrairam sinais de controle motor de todo o corpo. O próximo passo é controlar o equilíbrio. 

Como parte do projeto, o roboticista Gordon Cheng está desenvolvendo um exoesqueleto em Munique. Uma versão da estrutura será controlada de forma autônoma por um macaco. O equipamento tem que reproduzir o que o animal pensar. O controle do robô mistura os sinais dos pensamentos com reflexos robóticos. A estrutura é movimentada por motores hidráulicos e feita de um material muito leve.

Macaca
Em 2008 o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis surpreendeu o mundo ao fazer uma macaca de 80 centímetros e três quilos movimentar um robô de 80 quilos e um metro e meio de altura usando apenas a força do pensamento. A macaca, Idoya, estava em um laboratório na Carolina do Norte (EUA) e o robô estava no Japão. Essa foi a primeira vez que um sinal cerebral foi usado para fazer um robô andar. Antes disso, a equipe do brasileiro já havia demonstrado que um macaco com eletrodos implantados no seu cérebro era capaz de controlar um braço robótico. 

Esses experimentos são os primeiros passos para a criação de uma interface entre cérebro e máquina que permita a pacientes paralisados andar ou se movimentar guiando membros mecânicos apenas por meio de ondas cerebrais. (PA/AAN)

'Avô' das aves é mais dinossauro do que pássaro

Querem derrubar o célebre fóssil Archaeopteryx do poleiro que ele ocupa lá se vão 150 anos. Pesquisadores chineses defendem que o bicho não é o 'pai' das aves, como se acredita, mas apenas uma espécie de dinossauro penoso. O líder do grupo que defende a ideia na revista Nature é Xing Xu. Ele e seus colegas apresentam mais um desses bichos, o pequeno Xiaotingia zhengi, de 155 milhões de anos e peso estimado de apenas 800 g. Quando Xu e seus colegas usaram um programa de computador para saber onde o novo animal se posiciona na árvore genealógica de dinossauros e aves eles viram que não só o bicho foi considerado dinossauro como também sua presença 'puxou' o Archaeopteryx para o lado dos dinos, indicando que este pertenceria ao grupo mais geral de dinossauros emplumados, que inclui o famoso o Velociraptor e não das aves. (Folhapress)

Russos querem que a ISS seja afundada no mar

A Estação Espacial Internacional (ISS) voltará à Terra e será afundada no mar, ao final de seu ciclo de vida, após 2020, informou o vice-diretor da Agência Espacial russa, Vitali Davydov. 'Não concordamos com nossos parceiros de fazer explodir a estação, por volta de 2020. Ao mesmo tempo, não podemos deixá-la em órbita: é um objeto muito pesado e complexo que pode produzir muitos dejetos', acrescentou. 

A ISS terá, então, o mesmo destino da estação orbital Mir, abandonada pelos russos em 2001, devido a sua deterioração pelo tempo, após ter sido o símbolo, desde 1986, do sucesso do setor espacial soviético. Os russos se aliaram, em seguida, aos ocidentais, para construir, a partir de 1998, a ISS, a maior estrutura jamais colocada no espaço. (AFP)

Motor linear pode ser usado em próteses de membros

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP desenvolveram um protótipo de um motor elétrico linear que poderá ser aplicado em próteses. O motor foi capaz de acionar o dedo artificial construído para a pesquisa em velocidade e força suficientes para que o membro se movesse como um dedo humano. “A principal vantagem, em relação aos motores rotativos, comumente usados neste tipo de aplicação, é que os lineares não necessitam de adaptação para converter o movimento rotacional em linear, como engrenagens, e não geram barulho, principal reclamação dos usuários de próteses a base de motor rotativo”, diz a autora da pesquisa, a engenheira eletricista Aline Durrer Patelli Juliani. (Folhapress)