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Aula de Ciências explora os ritmos do corpo humano


Estudantes do 8º ano compõem música para explicar funcionamento dos órgãos


26/06/2012 - 11h08 . Atualizada em 26/06/2012 - 00h00
Fabiano Ormaneze   ESPECIAL PARA A AGÊNCIA ANHANGUERA  
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O professor de Ciências Lucas Bortolotto Brandrão durante \'show\' de alunos
(Foto: Augustio de Paiva/AAN)

Jovem e com pouco tempo de carreira – são apenas dois anos à frente de uma sala de aula –, o professor de ciências Lucas Bortolotto Brandão já percebeu que é preciso inovar e ser criativo na forma como o conteúdo deve ser transmitido para conseguir chamar a atenção dos alunos. Docente no Colégio Anglo-Campinas, na unidade do distrito de Barão Geraldo, ele desenvolve, desde abril, um projeto que reúne música, produção de videoclipes e informações sobre diversas carreiras profissionais. Tudo isso sem fugir do conteúdo programado para o 8º ano (antiga 7ª série) do Ensino Fundamental: a anatomia e o funcionamento do corpo humano.
 
“Eu já trabalho com essa turma desde o ano passado e percebia o interesse que os alunos tinham pela música. Eles sempre estão vendo clipes na internet e muitos tocam instrumentos. Assim, decidi desenvolver um projeto que integrasse os interesses dos alunos e o conteúdo obrigatório. O resultado está sendo muito bom”, conta.
 
A turma, que tem cerca de 25 alunos, foi dividida em quatro grupos e cada um pôde escolher um dos sistemas que compõem o corpo humano. Os selecionados pelas equipes foram o digestivo, o respiratório, o cardiovascular e o reprodutor. “Vamos passar por todos durante as aulas, mas cada grupo selecionou aquilo que mais os estimulava para realizar as atividades”, diz. 

A partir daí, cada equipe precisou produzir uma paródia de uma música conhecida em que explicasse o funcionamento do sistema e abordasse temas relacionados a ele, como doenças ou hábitos que podem gerar prejuízos à saúde. O professor, que também toca violão e estuda música, contribuiu com várias dicas nessa etapa. “Cada grupo ficou livre para escolher com o que quisesse trabalhar. No sistema respiratório, por exemplo, foi a relação nociva com o tabagismo. As doenças do coração foram outro tema pelo qual se interessaram”, lembra o professor. 

Sexualidade
Além da música, cada grupo está produzindo um videoclipe de até cinco minutos sobre a parte do corpo trabalhada, que será postado no YouTube, site de compartilhamento de vídeos na internet, e apresentado em uma mostra no colégio em agosto. “O trabalho está sendo muito interessante, pois o Lucas tem uma forma bem criativa de ensinar. A gente não fica só no livro. Aprendemos muito mais assim”, opina o estudante Brendow Augusto Freire Pires, de 13 anos, que com mais quatro colegas ficou responsável pelo sistema reprodutor masculino e feminino. 

Um dos assuntos que eles vão abordar no videoclipe serão as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). “O envolvimento dos alunos também é grande porque eles estão numa fase de idade em que surgem muitas dúvidas sobre o próprio corpo”, lembra o professor. Por meio dessa dinâmica, também foi mais fácil abordar assuntos relacionados à sexualidade, já que as dúvidas e os questionamentos apareceram espontaneamente. 

Clipes colocam a turma no papel de profissionais

A atividade desenvolvida pelo professor Lucas Bortolotto Brandão no Colégio Anglo-Campinas faz parte de uma iniciativa maior, que está sendo realizada com todas as turmas da escola. Durante o ano inteiro, todas as disciplinas estão abordando, de alguma forma, o tema “Trabalho e Cultura”, que tem como objetivo mostrar a importância de cada profissão para a sociedade. 

Por causa disso, o professor de ciências também atribuiu a cada integrante dos grupos montados para falar das partes do corpo humano uma função diferente na produção do videoclipe: compositor, músico, atriz, diretor e editor. Antes de iniciar a elaboração da paródia e do roteiro do filme, cada aluno teve de fazer uma pesquisa sobre as funções de cada profissional e a formação exigida para as respectivas carreiras. Brandão também organizou palestras com profissionais dessas áreas e, em agosto, um médico irá ao colégio para o encerramento das atividades. No caso específico de ciências, o projeto “Cantando e Encenando com o Trabalho do Corpo Humano”, envolveu ainda as aulas de língua portuguesa, na correção dos textos produzidos e na orientação para a redação. Brandão reservou duas horas/aula semanais – de um total de seis destinadas a ciências – para a orientação e realização dos trabalhos. “Mas acabo utilizando as redes sociais, o e-mail e qualquer contato que tenho com os alunos para orientá-los”, explica o educador. 

SAIBA MAIS
O trabalho do professor Lucas Bortolotto Brandão no colégio Anglo-Campinas envolve dois tópicos descritos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documentos lançados pelo Ministério da Educação (MEC) com os conteúdos básicos e os objetivos em cada disciplina e série da educação básica (ensinos Fundamental e Médio). Ao mesmo tempo em que aborda as características anatomofisiológicas do corpo humano, o educador também trabalha os chamados temas transversais, que envolvem discussões ligadas ao cotidiano e ao mundo contemporâneo, como sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e formação profissional.