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Manifestante interrompe depoimento de Blair


Blair, primeiro-ministro de 1997 a 2007, sempre defendeu a decisão de enviar o país à guerra, ao lado dos Estados Unidos, do Iraque em 2003


28/05/2012 - 12h14 . Atualizada em 28/05/2012 - 12h15
France Press    
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Ex-primeiro ministro inglês Tony Blari foi acusado por crimes de guerra
(Foto: Divulgação)

Um manifestante interrompeu por alguns momentos nesta segunda-feira o depoimento do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que foi acusado de crimes de guerra pelo homem, na comissão que investiga em Londres a ética da imprensa em consequência do escândalo dos grampos no tabloide News of the World.

'Este homem deveria ser detido por crimes de guerra', gritou o homem, antes de ser rapidamente retirado da sala.

'O JP Morgan o pagou pela guerra do Iraque seis meses depois deixar o cargo', completou, em referência a sua contratação como assessor do banco americano em 2008.

Blair, primeiro-ministro de 1997 a 2007, sempre defendeu a decisão de enviar o país à guerra, ao lado dos Estados Unidos, do Iraque em 2003. No depoimento, ele chamou as acusações de 'totalmente falsas'.

Enquanto era retirado da sala, o manifestante se identificou como David Lawley Wakelin, diretor de um documentário antiguerra que tem como título 'The Alternative Iraq Enquiry' (O Inquérito Alternativo do Iraque).

A inesperada intervenção relegou ao segundo plano o depoimento de Blair, que defendeu sua 'relação de trabalho' com o magnata da imprensa Rupert Murdoch, que viu seu império abalado pelo escândalo no News of the World, uma de suas publicações mais populares até o fechamento em julho do ano passado.

'Descreveria minha relação com ele como de trabalho até que deixei o cargo de primeiro-ministro', disse Blair, que recebeu o apoio de outro influente jornal de Murdoch, o Sun, nas três eleições que disputou.

'Era uma relação de poder', completou.

Questionado sobre o fato de uma das filhas do magnata ser sua afilhada, ele afirmou que não seria padrinho de um dos filhos de Murdoch em função da relação no cargo.

'Depois, eu o conheci mais. Agora é diferente, não é a mesma coisa'.

Os vínculos entre Blair e Murdoch começaram quando o ex-premier ainda era líder da oposição e viajou à Austrália para conversar com os diretores do grupo como parte de uma estratégia trabalhista para tentar mudar a tendência de apoio da empresa aos conservadores.

A comissão Leveson, que investiga as relações entre a imprensa e o governo, também destacou nas últimas semanas vínculos estreitos entre o atual governo de David Cameron e dirigentes do grupo de Murdoch.