1. Você está aqui:  
  2. Home
  3.  > 
  4. entretenimento
  5.  > 
  6. Variedades

Zé Celso apresenta Macumba Antropófaga em Campinas


Dinamismo, escracho, boas atuações, surpresas, dança, música, um redemoinho de ações simultâneas que deixa o espectador em dúvida sobre o que olhar


06/08/2012 - 17h41 .
Delma Medeiros   DA AGENCIA ANHANGUERA  

Cena de Macumba Antropófaga, montagem do grupo Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona apresentada no final de semana em Campinas
(Foto: Leandro Ferreira/AAN)

Dinamismo, escracho, boas atuações, surpresas, dança, música, um redemoinho de ações simultâneas que deixa o espectador em dúvida sobre o que olhar. Assim é a montagem de Macumba Antropófaga 2012, do grupo Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, do diretor José Celso Martinez Correa, ou simplesmente Zé Celso, encenado no último final de semana no Galpão Multiuso do Sesc-Campinas.

Como os atores e diretor fazem questão de afirmar, não se trata de um espetáculo, mas de um “rito”, uma viagem ao universo mítico dos povos primitivos, da antropofagia em sua expressão máxima. Inegavelmente é uma experiência interessante assistir a esse “rito”, que explora o nu como uma quebra de tabus e instiga os espectadores a entrar nessa viagem, por vezes, quase alucinógena.

A montagem mistura, aos povos primitivos, personagens da nossa história, especialmente Oswald de Andrade, criador do Manifesto Antropófago que inspira a montagem. O início é chato e confuso. Depois de pelo menos 15 minutos fora do palco ouvindo o elenco se aquecer, um grupo de índios tupis conduz o público até a área externa do teatro para a abertura, com Oswald e Tarsila do Amaral (os atores Marcelo Drummond e Letícia Coura) encenando a descoberta da antropofagia.

Na sequência, todos voltam para o teatro, montado nos moldes do Oficina, com duas arquibancadas e o palco, com uma avenida entre elas. Lá, no jardim de Tarsila, eles se amam e depois ela o pinta nu para, em seguida, inspirada pela tribo de tupis que invade a quadra, transformar o desenho no Abaporu, uma cena bonita e irônica.

O primeiro ato, de pouco mais de duas horas de duração, é intenso, dinâmico e deixa uma sensação de que será fácil aguentar as cinco horas previstas do “rito”. A exploração do nu e as cenas provocativas agradaram ao público que lotou o Sesc-Campinas no sábado, apesar de notar-se um certo constrangimento em parte dos espectadores.

“O Zé Celso é parte importante da história do teatro. É uma oportunidade de conhecer outras linguagens. A montagem não choca. Vemos pessoas ‘se comendo’ nas novelas. Aqui isso é mostrado de forma mais bonita”, avaliou a atriz e diretora Gabriela Guinatti, de 25 anos. “Esse espetáculo é uma revolução no teatro campineiro”, resumiu o professor Mauro Sergio Pereira, de 35 anos. “É uma agradável surpresa, numa cidade culturamente abandonada e que não dispõe sequer de um teatro público”, reforçou Tiago Sumaré, de 33 anos. “Ótimo, maravilhoso, dinâmico, interativo, e sem nada de chocante”, afirmou o arquiteto Marco Antonio Rodrigues Alves, de 57 anos. “Impressiona pela beleza, e tem ótimos atores, música, dança”, acrescentou o médico Aarão Mendes, de 58 anos.

A atriz e jornalista Paula Guerreiro, de 23 anos, gostou do primeiro ato, que considerou “alto-astral”, mas se decepcionou com o segundo. “Uma loucura sem propósito, que inexplicavelmente contagia as pessoas e as faz aplaudirem. Foi a primeira vez que deixei o teatro sem bater palmas. O Zé Celso me fez desperdiçar cinco horas da minha vida”, afirmou.

A proposta é envolver o público, convidado a se levantar, dançar com o elenco e aplaudir sempre que sentir vontade. Aliás, essa recomendação é dada antes do início da apresentação pela atriz Camila Mota, que dá vida a Miss Verde e Pagu, entre outros personagens. O público também é instigado a fotografar e postar imagens nas redes sociais. Todo o espetáculo é filmado, mostrado em telões e transmitido on-line. Os telões ajudam bastante, até porque, pelas dimensões do palco-avenida, não é possível acompanhar todo o desenrolar ao vivo. É inegável a garra, preparo físico e profissionalismo dos atores e músicos. A entrega é total e fica difícil saber quem está melhor em cena. A exceção é Zé Celso, que, como ator, é um ótimo diretor.

Macumba Antropófaga segue agora para apresentações em unidades Sesc de Bauru e Sorocaba.

Leia mais nas edições do dia 07/08 dos jornais do Grupo RAC